Atualmente, é estimado que 30% da população brasileira possui planos privados de saúde. O número tende a crescer, já que cerca de 86% considera o serviço essencial, sendo que o desejo de contratar perde apenas para investimento em educação e na casa própria. Além disso, a insatisfação com o Sistema Único de Saúde alcançou o patamar de 95%, fazendo com que o brasileiro busque outras alternativas.

Dentre os que já são beneficiários, 75% afirma estar satisfeito com o serviço, enquanto 86% não quer abrir mão do seu convênio médico. Os maiores argumentos são o atendimento rápido e de qualidade, bons hospitais e médicos, cobertura e praticidade para marcar consultas.

Distribuição de beneficiários por unidade federal

Dentre todas as unidades federativas brasileiras, o estado de São Paulo é o que acumula o maior número de clientes de planos de saúde, representando 36% de todos os beneficiários brasileiros. Em seguida estão os estados do Rio de Janeiro, com 11% e Minas Gerais, com 10,7%.

Enquanto a maior concentração está no sudeste, a menor está ao norte do país. Os estados com menor número de beneficiários comparados ao quadro geral são o Amapá com 0,15%, o Acre com 0,09% e Roraima com apenas 0,06% de beneficiários.

A densidade é ainda maior nas capitais, seguido pelas regiões metropolitanas e interior, Este fato pode estar relacionado à abrangência geográfica e serviços como hospitais e clínicas, que tende a ser mais concentrada nestes locais.

Entre os estados que estão mais satisfeitos com os serviços dos convênios médicos estão o Distrito Federal com 82% de aprovação, Porto Alegre com 81% e Salvador com 80%. O estado que apresenta o menor índice de satisfação é Recife, com 69%.

Critérios para a escolha

Aqueles que contrataram um plano de saúde têm como maior medo depender do SUS, sendo assim, a possibilidade de um serviço rápido, prático e com bom atendimento são fatores que chamam atenção. Porém, a maioria dos beneficiários, cerca de 42%, procuram um plano com preço acessível.

Em seguida, 33% buscam por uma rede credenciada de qualidade e próxima a sua casa e, por fim, 22% levam em consideração a indicação de conhecidos. Segundo pesquisas na internet, a Hapvida é a mais buscada e que, por hora, atende apenas no norte e nordeste. Contudo, a empresa que possui mais beneficiários atualmente em todo o Brasil é a Amil Saúde, com 7,3% de todo o mercado brasileiro.

Perfil de utilização

Segundo dados da ANS, a maioria de usuários de planos de saúde são mulheres e representam 53% dos clientes, enquanto os homens são 47% dos contratantes. Destes usuários, 90% diz ter usado o plano de saúde ao menos uma vez por ano, sendo que 43% utiliza para exames de rotina, 14% em casos de emergências como internações e 18% tem uso constante para tratamento de doenças crônicas.

Dentre os usuários, 47% utilizam planos com coparticipação por oferecem mensalidades mais baratas apesar da necessidade de contribuição por atendimento. A maioria, cerca de 75%, possuem o plano hospitalar e ambulatorial com obstetrícia, uma das coberturas mais completas que o mercado de saúde pode oferecer.

Quando se deparam com um serviço que não é coberto por seu convênio médico, 42% migram para clínicas particulares, enquanto apenas 12% recorrem ao SUS. Por considerarem um serviço de extrema importância, o SPC chama a atenção que 97% dos beneficiários de plano de saúde apresentam pagamentos em dia.

Contudo, aqueles que chegaram a perder o seu plano alegam terem sido demitidos da empresa que concedia o benefício ou não conseguiram arcar com as mensalidades. Não por coincidência, 51% dos beneficiários acham os valores dos planos de saúde abusivos.

A confiança na garantia de atendimento é uma das maiores características sendo que, além do pagamento das mensalidades, 74% alega não possuir reserva financeira para emergências médicas. Segundo o Ibope, a média de gastos com plano de saúde entre usuários que não recebem o benefício da empresa é de R$439,54 por mês.

Estima-se que dentre as pessoas que não possuem plano de saúde, 77% encontram-se nas classes C, D e E. Dentre os usuários que arcam com os custos, 48% diz abrir mão de algo para conseguir pagar o plano de saúde.

Perfil de contratação

Por ser o produto mais ofertado no mercado, a contratação coletiva representa 67,3%, seja com CNPJ próprio ou como benefício no trabalho. Planos individuais e familiares representam 19,2% dos contratos, enquanto apenas 0,2% recorrem à adesão.

A menor aderência aos planos individuais ou familiares é justificada pela pouca oferta no mercado para o público que não possui CNPJ. A contratação por adesão, por outro lado, é mais complicada por exigir que o beneficiário esteja vinculado a um sindicato, além de possuir valores acrescidos além da mensalidade.

Nível de satisfação

De acordo com pesquisa do Ibope divulgada em 2015, 75% dos beneficiários estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o seu plano de saúde. Sendo que 86% pretendem continuar com o serviço, se possível, e 79% indicariam o plano que possuem atualmente para um conhecido.

O IDSS é um índice calculado pela ANS para avaliar a qualidade do atendimento, satisfação dos clientes com o serviço prestado e qualidade de gestão. A empresa que apresenta a maior nota é a Unimed dos Vales do Taquari com nota 1,0, a máxima a ser alcançada. A operadora não possui nota atribuída no Reclame Aqui, mas algumas das queixas envolvem cobrança indevida e demora na liberação de procedimentos.

Apesar de representar apenas uma pequena parcela da população, entender quem são os clientes de planos de saúde, quais as suas demandas e perfis, nos ajuda a compreender cada vez mais este mercado em expansão. Desta forma, as empresas prestadoras podem criar novos produtos que atendam uma fração maior da sociedade, oferecendo atendimento de qualidade para cada vez mais pessoas.