Saúde & bem-estar
Atualizado: 
Publicado: 
Leitura 
de 5 min

Diabetes infantil: quais os impactos para a criança?

Duas crianças de óculos em um balanço

Descobrir que um filho se tornou diabético é uma situação muito difícil e delicada, mas saber que existe tratamento adequado e profissionais qualificados para controlar esta doença fazem toda a diferença. O Diabetes Melito é uma das doenças metabólicas mais comuns no mundo, sendo que a cada ano mais e mais pessoas vem sendo diagnosticadas.

Segundo dados da International Diabetes Federation, estima-se que 463 milhões de adultos convivem com a doença no mundo e que em 2045 esse número vai aumentar para 700 milhões. No Brasil, cerca de 100 mil crianças e adolescentes possuem o diabetes tipo 1, o que torna importante lembrar que o diabetes pode ocorrer em qualquer época da vida.

O que é diabetes infantil?

Diabetes é uma doença que ocorre quando o pâncreas não consegue mais produzir insulina (tipo 1) ou quando o corpo não consegue fazer bom uso da insulina que produz (tipo 2).  A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas para controlar o nível de açúcar no sangue, ao permitir a entrada da glicose nas células para produção de energia.

Na infância, cerca de 90% dos casos são de Diabetes Melito tipo 1, que é uma doença autoimune em que o corpo reconhece o pâncreas como “inimigo”, atacando-o e causando uma interrupção na produção de insulina. Sendo assim, o organismo é levado a um estado de total descontrole no nível do açúcar do sangue. 

Infelizmente temos percebido um aumento importante do número de crianças com Diabetes tipo 2, que é similar à maioria dos adultos. O aumento da glicemia ocorre devido a uma ação reduzida da insulina no corpo ou resistência ao seu funcionamento, o que implica no aumento do número de casos de obesidade na infância.

Quais são os sintomas do diabetes?

Os sintomas do diabetes tipo 1 são mais intensos e exigem um diagnóstico mais rápido, dentre eles estão:

  • Perda rápida de peso;
  • Muita sede; 
  • Fome excessiva; 
  • Maior volume de urina; 
  • Fadiga;
  • Irritabilidade ou alteração no comportamento; 
  • Respiração com odor de maçã; 
  • Visão borrada;
  •  Infecção genital por fungos.

Os mesmos sintomas ocorrem no diabetes tipo 2 de forma mais lenta e silenciosa. Geralmente, o diagnóstico é feito após uma medida de glicemia de jejum alterada em exame de rotina ou em uma medida ocasional no glicosímetro de algum parente próximo.

Quais são as principais causas do diabetes infantil?

Para diabetes tipo 1, ainda não existe uma única causa definida, sabe-se que há uma predisposição genética e influência ambiental. Ou seja, em algum momento da vida, um gatilho ambiental, geralmente infecções virais, podem dar o pontapé para manifestar os primeiros sintomas do diabetes.

Já o diabetes tipo 2, é causado pelo excesso de peso da criança ou adolescente. Por sobrecarregar o corpo, causa um estado inicial de resistência à insulina e, posteriormente, glicose elevada.

Como é feito o diagnóstico?

O diabetes pode ser diagnosticado através da medida de glicemia ao acaso ou através de exame laboratorial de rotina em jejum. No primeiro caso, deve-se ficar atento a resultados acima 200mg/dL com sintomas sugestivos. Já no segundo, se a glicemia ficar acima de 126mg/dl. 

No teste de tolerância oral com glicose, quando a glicemia após duas horas estiver maior que 140mg/dL pode ser um indicativo de diabetes. Outros exames laboratoriais podem nos ajudar a definir os tipos de diabetes são:

  • Dosagem de peptídeo C;
  • Insulina;
  • Anticorpos anti-GAD;
  • Anti-ilhota pancreática;
  • Anti-insulina.

Como é feito o tratamento da doença em crianças?

No diabetes tipo 1, o tratamento é com insulina injetável, visando repor este hormônio que já não é mais produzido pelo pâncreas. Utiliza-se um esquema de múltiplas doses diárias para imitar a produção de insulina normal no organismo, mantendo uma dose mínima constante durante todo o dia e uma dose maior após as refeições. Com isso, é possível ter um bom controle da doença.

No diabetes tipo 2, existe insulina sendo produzida pelo pâncreas, porém seu funcionamento não é efetivo, principalmente por uma resistência na sua ação. Logo, o tratamento medicamentoso visa melhorar a sensibilidade da ação da insulina já existente ou até aumentar a secreção de insulina. Na infância, o único fármaco via oral que pode ser utilizado é a metformina em comprimido. Além disso, a perda de peso e mudanças de hábitos de vida são necessários para que o tratamento seja efetivo.

Quais hábitos devem ser alterados após o diagnóstico?

A princípio, a maioria das famílias passam por uma fase de negação do diagnóstico para, depois de muita informação e pesquisa, aceitar e compreender a doença, finalmente aderindo ao tratamento. A adesão e participação ativa de todos os familiares é indispensável para o sucesso do tratamento.

É preciso adotar hábitos saudáveis que devem ser compartilhados por todos os familiares, como: 

  • Consumo de alimentos diet;
  • Uso de adoçante no lugar do açúcar;
  • Evitar industrializados;
  • Priorizar alimentos naturais e perecíveis;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Ter rotina e disciplina para medir a glicemia capilar diariamente;
  • Usar corretamente os medicamentos prescritos.

Leia também: Pré-diabetes: como evitar quadros mais graves?

O diabetes infantil é reversível?

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune na qual ocorre destruição total das ilhotas pancreáticas locais que produzem insulina, o que é irreversível até o momento. Contudo, algumas pesquisas têm sido realizadas com intuito de buscar uma cura ou maneiras de amenizar a doença.

Já o diabetes tipo 2, como resultado de hábitos inadequados de vida como excesso de peso e sedentarismo é reversível. Porém, é imprescindível o envolvimento de toda a família para auxiliar na mudança em busca de um estilo de vida mais saudável.

Quais são os impactos causados na vida das crianças com a doença?

O impacto psicológico ao receber o diagnóstico do diabetes pode ser devastador para a criança e, principalmente, para os adolescentes. Este novo estilo de vida requer que a insulina seja administrada várias vezes ao dia em todos os ambientes que convive, além de fazer o controle da glicemia com punção da ponta de dedo cerca de 9 nove vezes ao dia. 

Existe uma resistência inicial em aceitar a doença, além da diminuição da autoestima, sensação de incapacidade, de injustiça e vergonha em relação aos amigos e familiares. Em alguns casos, observa-se baixa aderência ao tratamento com insulina, com omissão de doses propositalmente.

A diabetes infantil pode ter complicações mais sérias?

Diabéticos têm maior predisposição para doenças cardiovasculares como: 

  • Infarto do miocárdio;
  • Acidente vascular cerebral;
  • Prejuízo da função dos rins;
  • Perda da acuidade visual;
  • Perda da sensibilidade dos membros inferiores;
  • E em casos extremos, necessidade de amputação de membros.

O diabético pode ter uma vida normal como qualquer outro indivíduo, mas deve fazer o diagnóstico correto do tipo do Diabetes e escolher o tratamento, que pode ser feito de forma personalizada. Deve-se levar em questão os hábitos de vida do paciente e de sua família, além de questões financeiras, preocupação com modo e/ou facilidade de aplicação, entre outros.

Atualmente temos disponíveis no Brasil as insulinas injetáveis em forma de canetas ou que podem ser administradas em bomba de infusão contínua no subcutâneo, diminuindo a necessidade de picadas extras. Procure um endocrinologista pediátrico com o qual a criança se sinta confortável, de forma que o acompanhamento da doença seja tranquilo e feito de forma leve.

Referências

[1] International Diabetes Federation 

[2] Transplante de células tronco é eficiente contra diabetes tipo 1 

[3] Células tronco e diabetes

Camila D’Almeida Magnani Silva

Dra. Camila D’Almeida Magnani Silva

Médica pediatra e endocrinologista pediátrica, a Dra. Camila D'Almeida atua em consultório particular, o Studio Oral Med, localizado no bairro do Brooklin, em São Paulo. Além do tratamento de Diabetes Melito Infantil, também se dedica a áreas como crescimento e desenvolvimento da criança, puberdade precoce ou tardia e puericultura.