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Síndrome do túnel de carpo: o que é, causas e sintomas

Rafael Barbosa

Por Rafael Barbosa

Ortopedista - CRM-BA 33904 / RQE nº 18239

Usamos as mãos o tempo todo e é algo tão natural que nem percebemos nossos movimentos, mas são eles que permitem a nossa funcionalidade e sobrevivência no dia a dia. 

Alguns incômodos como dores constantes, formigamentos e parestesia são sintomas comuns da síndrome do túnel do carpo, uma doença que afeta passagens presentes nos ossos. Porém, apesar de preocupante, há tratamento.

Com tanta importância na nossa rotina, dificuldades para movimentar as mãos e braços podem ser indicativos de algo mais sério no corpo e devem ser considerados e investigados desde o primeiro momento.

Nesse post, você verá como identificar essa síndrome, quais são as principais causas e como preveni-la. Confira!

O que é síndrome do túnel do carpo?

A mão é formada por 27 ossos principais que são divididos por 8 do carpo; 5 do metacarpo e 14 falanges. No membro, há uma pequena passagem que é usada pelos nervos e tendões como acesso. Esta passagem é denominada túnel do carpo.

A síndrome do túnel do carpo é uma condição que ocorre quando o túnel diminui seu espaço ou quando seu interior expande de tamanho, gerando compressão sobre o nervo mediano, na altura do punho, causando desconfortos e dores.

Leia também: Osteoporose: como tratar e se prevenir?

Quais são os sintomas da síndrome do túnel do carpo?

Os sintomas iniciam de forma gradativa, sem nenhuma lesão específica. As dores e desconfortos se intensificam mais no período noturno, podendo acordar o paciente em algumas ocasiões.

Durante o dia, os sintomas geralmente surgem ao segurar objetos por períodos prolongados, com o punho em flexão ou extensão, como dirigir, ler um livro ou usar o telefone, é muito comum o relato de deixar objetos cair das mãos.

Os sintomas mais comuns, incluem: 

  • Parestesia ou dormência no polegar, indicador, dedo médio e parte radial do dedo anular, associado ou não à dor e queimação;
  • Dores nos punhos, braços e antebraços;
  • Formigamento nas mãos e antebraços.

Nos casos mais avançados da doença, pode ocorrer atrofia da musculatura de parte da mão, fraqueza muscular e perda de sensibilidade na mão.

O que causa a síndrome do túnel do carpo?

A síndrome pode ser causada por uma combinação de fatores. Estudos mostram que mulheres e idosos têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Os fatores de risco incluem: 

  • Hereditariedade: talvez o fator mais importante. O túnel do carpo pode ser menor em algumas pessoas ou haver alterações anatômicas que afetam a quantidade de espaço para o nervo;
  • Uso repetitivo da mão;
  • Posição do punho e da mão: atividades que envolvem flexão e extensão extrema por período prolongado podem aumentar a compressão no nervo; 
  • Gestação: alterações hormonais podem causar edema;
  • Algumas doenças sistêmicas como diabetes, artrite reumatoide e doenças da tireoide.

Qual é o diagnóstico da síndrome do túnel do carpo?

O diagnóstico pode ser feito essencialmente clínico, através da história do paciente, associado ao exame físico, onde são realizados os testes provocativos.

Exames complementares ajudam a confirmar a hipótese. Principalmente os estudos eletrodiagnósticos, como a eletroneuromiografia. Outros exames como ultrassonografia e ressonância magnética também podem ser solicitados pelo médico.

Qual é o tratamento da síndrome do túnel do carpo?

Nos casos iniciais, com sintomas leves, o tratamento é realizado através de repouso, uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, uso de imobilizadores de punho ou infiltrações de corticóide. 

Nos casos mais avançados ou nos pacientes muito sintomáticos, é necessário um  tratamento cirúrgico. Que pode ser feito de forma convencional, cirurgia aberta, ou de forma endoscópica para aliviar o nervo mediano.

Como é feita a prevenção da síndrome do túnel do carpo?

É difícil definir um protocolo de prevenção, pois o principal fator da síndrome é de risco hereditário. Porém, existem algumas manobras que podemos adotar na tentativa de evitar ou retardar o surgimento dos sintomas como:

  • Evitar dormir sobre os punhos dobrados;
  • Manter os punhos retos ao segurar objetos;
  • Evitar movimentos repetitivos com os punhos flexionados ou estendidos;
  • Fazer intervalos para descanso nas atividades repetitivas;
  • Realizar exercícios de condicionamento e alongamento, antes e após as atividades;
  • Monitorar e tratar adequadamente condições médicas relacionadas à síndrome do túnel do carpo.

Existe recorrência para síndrome do túnel do carpo?

O índice de recorrência da síndrome após o tratamento cirúrgico não é incomum, podendo ser de 3% a 25%, segundo a literatura atual. Ela pode ocorrer devido à liberação incompleta do ligamento carpal transverso na cirurgia, aderências no pós-operatório, tenossinovite ou devido a cicatriz fascicular intraneural.

Portanto, o ideal é sempre consultar e fazer acompanhamento com um especialista em cirurgia da mão, para minimizar possíveis complicações. Além disso, algumas doenças podem ter correlação com a síndrome. Portanto, diagnóstico e tratamento antecipados ajudam a controlar a doença e as dores causadas pela mesma.

O diagnóstico só pode ser confirmado por um profissional, bem como o melhor tratamento ou, caso necessário, cirurgia reparadora.

[1] Síndrome do túnel do carpo

[2] O que sabemos sobre Síndrome do Túnel do Carpo?

Quem escreve

Rafael Barbosa

Rafael Barbosa

Ortopedista - CRM-BA 33904 / RQE nº 18239

Dr. Rafael Barbosa é ortopedista e traumatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. É especialista em microcirurgias e atende em seu consultório na Bahia.