Cirurgias

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Como fazer cirurgia bariátrica pelo plano de saúde?

Deisi Gois

Por Deisi Gois

Redatora jornalística

Apesar de não ser o ideal devido aos períodos de carência e às coberturas parciais temporárias, existem aqueles que contratam o plano com uma finalidade específica. Um dos procedimentos mais procurados e que causa dúvida se existe ou não cobertura nos planos é a cirurgia bariátrica.

Por isso, para eliminar todas as suas dúvidas de uma vez por todas, contamos tudo sobre como fazer cirurgia bariátrica pelo plano de saúde.

Neste artigo você vai encontrar:

O que é cirurgia bariátrica?

A gastroplastia, conhecida como cirurgia bariátrica, consiste em uma intervenção cirúrgica para redução do estômago. Ela é recomendada para pessoas obesas que já tentaram diversas formas de emagrecimento e não obtiveram sucesso e/ou que estão com complicações graves de saúde. 

O Brasil é o segundo país no mundo que mais realiza esse tipo de cirurgia, perdendo apenas para os Estados Unidos. Vale ressaltar, que a quantidade de procedimentos teve aumento exponencial na última década.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), o número de cirurgias de redução de estômago no Brasil cresceu 84,7% entre 2011 e 2018. Das 63.969 cirurgias realizadas em 2018, 77% foram por meio de  planos de saúde, 17,8% pelo SUS e 4,7% de forma particular. [1]

Plano de saúde cobre cirurgia bariátrica?

A cirurgia bariátrica consta no rol de procedimentos obrigatórios da ANSe, sendo assim, todos os planos de saúde são obrigados a oferecer esta cobertura. Contudo, existem algumas condições que qualificam ou não o paciente, pois a finalidade do procedimento não pode ser estética.

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Tipos de cirurgias bariátricas cobertas pelo plano de saúde

Segundo as diretrizes da ANS e de acordo com a Resolução Normativa - RN n°428 do ano de 2017, estes são os procedimentos que devem ser oferecidos no planos de saúde, bem como os critérios para atendimento do paciente.

By-pass gástrico ou Gastroplastia

Este tipo de cirurgia consiste na redução do estômago com cortes ou grampo e inclui uma alteração no intestino, que é reconectado à parte do estômago que seguirá em atividade. 

A cirurgia  pode ser realizada de duas formas:

  • Laparoscopia - Pequena incisão no abdômen
  • Aberta - Com um corte de 30 centímetros  

Neste método, o paciente pode perder até 70% do peso inicial. Como é um procedimento que mexe com boa parte do sistema digestivo, pode trazer complicações, como: anemia causada pelo déficit de vitaminas, fístulas das cicatrizes no estômago ou intestino (que podem causar infecções), além de problemas como náuseas, vômitos e diarreia após a alimentação.

Esta técnica corresponde a mais da metade dos procedimentos.

Gastrectomia vertical 

Nesta cirurgia que também pode ser feita com corte ou por meio de videolaparoscopia (furinhos no abdômen), o cirurgião remove todo o lado esquerdo do estômago. 

Este método pode levar à perda de até 40% do peso inicial. Diferente do bypass gástrico, essa cirurgia não interfere na ligação natural do estômago com o intestino, por isso é menos invasiva. 

Outro ponto positivo é que ela não exclui o duodeno do trânsito alimentar, portanto, não interfere no sítio de absorção de ferro, cálcio, zinco e vitaminas do complexo B. Sua desvantagem em relação ao método anterior é a perda menor de peso. 

Colocação de banda gástrica

Neste processo, uma prótese de silicone ajustável, que funciona como espécie de cinto,  é colocada em torno do estômago, causando a sua diminuição e o deixando em formato semelhante ao de uma ampulheta. Um tubo é ligado a este aparelho permitindo que seja ajustado a qualquer momento.

Esse método permite perda de até 40% do peso inicial. É um procedimento pouco invasivo, por meio da laparoscopia e, por isso, tem um pós-operatório melhor. Sua desvantagem é que para que funcione a longo prazo depende muito da cooperação do paciente, com mudanças de hábitos alimentares e prática regular de atividade física.

Duodenal Switch ou Derivação biliopancreática

Consiste na retirada de parte do estômago e a maior parte do intestino delgado. Uma parte do intestino delgado distal é conectada a saída do novo estômago para que o alimento passe por uma bolsa tubular até esvaziar no último segmento do intestino delgado.

Este método também é muito eficaz para perda de peso e gera uma restrição alimentar menor para o paciente. Porém, deixa a pessoa mais propensa a complicações nutricionais e metabólicas.

Quais as indicações para fazer cirurgia bariátrica?

Para a cobertura do plano de saúde, o beneficiário deve atender à todos os critérios a seguir:

  • Ter entre 18 e 65 anos;
  • Tratamento clínico realizado por pelo menos 2 anos sem resultados satisfatórios;
  • Apresentar quadro de obesidade mórbida há mais de 5 anos.

O beneficiário também deve preencher ao menos um dos requisitos abaixo:

  • IMC entre 35kg/m² e 39,9kg/m² com ou sem comorbidades, ou seja, outras doenças como diabetes, hipertensão, doenças coronarianas etc;
  • IMC entre 40kg/m² e 50kg/m² com ou sem comorbidades.

Caso o paciente apresente qualquer uma das características abaixo, não estará apto para realizar a cirurgia através do plano de saúde:

  • IMC acima de 50kg/m²;
  • Pacientes que apresentem problemas psiquiátricos, quadros psicóticos e demenciais sendo considerados graves ou moderados;
  • Ter feito uso de álcool ou drogas ilícitas nos últimos 5 anos;
  • Comer doces em excesso.

O cálculo do IMC é feito com base no seu peso e altura, na seguinte fórmula: Peso / Altura² , ou seja, se uma pessoa mede 1,68 e pesa 65kg, você calcula 65/2,82 = 23,03. 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que o resultado dessa conta até 24 para adultos até 65 anos como dentro do peso ideal. Acima disso, o indivíduo começa a entrar no excesso de peso, conforme a tabela a seguir:

  • IMC entre 25,0 e 29,9 Kg/m2: sobrepeso;
  • IMC entre 30,0 e 34,9 Kg/m2: obesidade grau I;
  • IMC entre 35,0 e 39,9 Kg/m2: obesidade grau II;
  • IMC maior do que 40,0 Kg/m2: obesidade grau III.

Quais os cuidados a longo prazo necessários após a bariátrica?

A obesidade é considerada uma doença crônica e progressiva, isso quer dizer que ela não é tida como curada quando o paciente atinge peso normal. Ela requer monitoramento contínuo para o resto da vida.

Embora vários fatores possam levar a pessoa à obesidade, um dos principais é a compulsão por comida, que está ligada a diversas questões, como a ansiedade. Outro fator é uma alimentação ruim, rica em sódio e alimentos com muito açúcar e gordura trans, por exemplo. 

Esses hábitos e fatores emocionais não são resolvidos com a cirurgia, por isso ela requer o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. Entre os profissionais envolvidos estão psicólogos e nutrólogos ou nutricionistas, pois o processo também requer uma reeducação alimentar. 

A redução do estômago também pode implicar na redução da absorção de nutrientes pelo corpo, que passará a se alimentar com menor quantidade de comida. Por isso, alguns pacientes necessitam tomar suplementos ou vitaminas após a cirurgia.

Cuidados para não engordar novamente após a cirurgia

Agora que você já sabe mais sobre a cirurgia bariátrica, é importante ressaltar que este procedimento exige acompanhamento com diversos profissionais, como psicólogo, nutricionista, gastroenterologista, entre outros, para o resto da vida.

Exige também controle permanente da alimentação e da saúde, já que alguns procedimentos podem causar perdas significativas de nutrientes, além de mudança de hábitos.

Caso contrário, é possível que a cirurgia seja colocada a perder ao longo dos anos e o paciente volte a engordar. 

Por isso, antes de passar por qualquer tipo de procedimento é preciso de um longo processo de preparação física e emocional. 

Qual a carência para fazer cirurgia bariátrica pelo plano?

Caso você adquira o plano já em estado de obesidade mórbida, isso configura uma condição preexistente e todos os procedimentos relacionados só serão liberados após 2 anos devido à cobertura parcial temporária. Contudo, se você não adquiriu o seu plano já em quadro de obesidade mórbida, assim como qualquer outra cirurgia, poderá ser realizada após 180 dias.

Em ambos os casos é preciso preencher os critérios citados acima e possuir laudos médicos que comprovem a necessidade deste tipo de intervenção.

Entenda tudo sobre as carências de plano de saúde

Como fazer a cirurgia bariátrica pelo plano de saúde?

Considerando todas essas informações e caso você se encaixe nas recomendações, é preciso solicitar ao plano de saúde uma avaliação com o cirurgião bariátrico. Esse profissional é responsável por fazer uma análise completa e decidir se essa cirurgia é realmente o ideal.

Caso a cirurgia bariátrica seja aprovada pelo cirurgião, o paciente ainda precisa fazer uma série de exames complementares. Além disso, é preciso se consultar com mais 4 especialistas: nutricionista, psicólogo, endocrinologista e cardiologista.

É importante destacar que, caso necessário, o paciente deverá se consultar também com outros especialistas.

Plano de saúde cobre cirurgia plástica para retirar o excesso de pele?

Dermolipectomia, mais conhecida como abdominoplastia ou até mesmo cirurgia para redução de excesso de pele, também é um procedimento previsto no rol de procedimentos da ANS, fazendo com que a cobertura seja obrigatória pelos planos de saúde.

Para que o seu plano de saúde cubra a cirurgia é necessário atender aos seguintes critérios:

  • Ter “abdome em avental” após passar por uma cirurgia bariátrica ou tratamento clínico e perder muito peso;
  • Ter complicações, como infecções bacterianas devido o atrito, quadros de candidíase de repetição, hérnias ou cheiros desagradáveis.

Muitos ficam em dúvida sobre como fazer cirurgia bariátrica pelo plano de saúde, e de fato pode ser um pouco difícil de se conseguir. Por isso, mantenha-se informado sobre todas as regras do seu convênio médico para saber quais serviços estão à sua disposição.

[1] https://www.sbcbm.org.br/a-cirurgia-bariatrica/

Quem escreve

Deisi Gois

Deisi Gois

Redatora jornalística

Sou formada em jornalismo e, apesar do romantismo pelas antigas redações, minha praia sempre foi a internet. Há mais de um ano trabalhando com produção de conteúdo voltado para área de saúde, acredito que informação pode ser empoderadora e realmente oferecer uma experiência de compra diferenciada. Hoje integro a equipe de conteúdo da Zelas Saúde, onde estamos a passos largos mudando a relação do mercado com seus consumidores.